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terça-feira, 14 de junho de 2011

Sem habilitação, mulher atropela e mata a própria filha de 4 anos.

SÃO PAULO e TAUBATÉ (Folhapress e AE) - Uma jovem atropelou a própria filha, Giovana da Silva, de 4 anos, e a mãe, na tarde do último domingo, em Campos do Jordão, a 181 quilômetros de São Paulo. A menina morreu na hora. Para a polícia, foi um acidente. Grávida de três meses, Rafaela Cássia da Silva, de 22 anos, es­tá emocionalmente abalada. A mãe dela, Soraia Aparecida da Silva, 38, sofreu ferimentos graves e está internada no Hospital São Lucas, em Taubaté.
Em depoimento à polícia, o marido de Rafaela,  disse que, por volta das 15h30, ela lhe pediu a chave do carro, que estava na garagem da casa da mãe dela, localizada na Vila Dubieux. Em seguida, de acordo com o marido, ele ouviu o barulho da batida. A mãe e a filha de Rafaela foram prensadas pelo carro contra um mu­ro. A jovem não tinha carteira de habilitação.

“Tudo indica que foi acidente, mas claro que será investigado, pois envolve uma criança de 4 anos. Mas não houve intenção”, disse o delegado Rubens Garcia, que cuida do caso.

O pai de Rafaela, José Vítor do Nascimento, 51, disse que a filha já havia pedido duas vezes para dirigir seu carro. Como ele recusou, Rafaela pe­diu para guiar o carro do marido. “Na primeira vez, ele recusou também. Na segunda, ela só pediu a chave. Ele deu achando que ela fosse pegar alguma mala no carro. É uma fatalidade daquelas que não sabemos como acontece”, disse Nascimento.

As duas vítimas haviam acabado de almoçar e estavam encostadas no muro. “Rafaela entrou no carro, desengatou e o veículo começou a descer de ré. Na tentativa de desviar do muro ela acabou atingindo a avó e a neta. Foi um desespero só”, disse o pai da jovem. Ele afirmou que a filha ainda está em estado de choque e que a mulher dele passaria por uma cirurgia no fêmur. Rafaela está na casa de uma tia, na cidade vizinha de Santo Antônio do Pinhal, e não quis falar com a Imprensa. “É uma parte da família que foi destruída”, disse. O corpo da menina será transladado para Brasópolis, em Mi­nas Gerais, onde ela morava com os pais.

O delegado Rubens Garcia afirmou que foi instaurado inquérito e que aguarda a chegada de laudos da perícia para prosseguir com as investigações. Rafaela poderá responder por homicídio culposo (quan­do não há intenção), le­são corporal e dirigir sem habilitação. Porém, de acordo com o artigo 121 do Código Pe­nal, ela pode não receber nenhuma pena, pois a dor da per­da supera qual­quer punição. “Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena se as consequências do fato atingirem o próprio agente (o causador ) de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária”, aponta o parágrafo único do artigo 121.

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